“Amor é fogo que arde sem se ver. É ferida que dói, e não se sente. É um contentamento descontente. É dor que desatina sem doer”, esta é uma das muitas citações emblemáticas de Luís Vaz de Camões e que através de uma visita de estudo é possível ouvir em pura declamação no seu Jardim-Horto ou na sua Casa-Memória na vila de Constância.
No passado dia 14 de novembro, os alunos do 7.ºC e 7.ºD, da Escola D. Nuno Álvares Pereira, do Agrupamento de Escolas Santa Maria, estiveram na vila de Constância, ao abrigo do Programa de Visitas de Estudo, do PEDIME, que a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo tem disponível para todos os alunos da região.
Ouviram-se poemas, pensamentos, perguntas, risos e brincadeiras, numa tarde que juntou cerca de cinquenta alunos de Tomar no Jardim e na Casa Memória que evoca o poeta e que homenageia a sua vida e obra.
A tarde de visitas teve início junto ao monumento a Camões onde o guia Máximo Ferreira fez um enquadramento aos alunos e explicou o que ia acontecer.
“A intenção é dar aos alunos a ideia que Camões esteve em Constância e a importância da sua obra. A visita começa junto ao monumento, fazemos a introdução à visita e quando o grupo é grande, como é o caso de hoje, um grupo fica no Jardim-Horto e o segundo segue para a Casa-Memória e depois troca”, explicou o responsável.
“No jardim fazemos uma alusão à flora que Camões cita nos Lusíadas e noutros registos literários e vamos explorando consoante os níveis etários. Na Casa-Memória explica-se que a casa foi reconstruída sobre as ruínas do que se julga ter sido a casa onde Camões viveu. No interior da casa há uma exposição sobre a vida e obra de Camões, há uma introdução à astronomia dos Lusíadas e em particular à navegação astronómica e com as citações que Camões faz disso mesmo”, mais avançou Máximo Ferreira.
Após este momento, a visita prosseguiu no Jardim. No local os alunos foram recebidos por Isabel Magano, Técnica de Turismo no Município, que fez uma explicação de todos os elementos que se encontram naquele local, tendo captado a atenção dos alunos e despertado a vontade de alguns declamarem poemas no anfiteatro que se encontra em pleno jardim.
Maria Clara, com 13 anos, aluna do 7.ºC, foi uma dessas alunas, leu e projetou a sua voz para que todos os seus colegas a ouvissem a declamar um dos seus poemas e contou-nos que se inspira em Camões: “Estou a gostar muito da visita! Hoje aprendi bastante sobre Camões e já conhecia até porque algumas das minhas inspirações para os meus poemas vêm dele. Confesso que a sua estátua chamou-me a atenção, imaginava outra imagem”.
Já Catarina Rosa, com 11 anos, do 7.ºD, disse que aprendeu muito e que gostou muito do que ouviu sobre a astronomia: “Aprendi muito sobre Camões e sobretudo a parte da astronomia que gosto muito. Aprendi sobre as especiarias, de onde vêm e sobre a vida dele”.
Por último, Maria Francisca, com 12 anos, do 7.ºC, disse-nos que não conhecia o Jardim e que gostou “muito da explicação naquela mesa onde está o mapa. Aqui aprendo melhor do que quando estou na sala, percebi que Camões teve uma vida muito corrida, com vários detalhes, onde aconteceram coisas diferentes e fiquei com vontade de ler mais”.
Fazendo um balanço positivo da participação dos alunos no Jardim-Horto de Camões, Isabel Magano disse que quando recebe os alunos importa-lhe que “eles fiquem com uma noção da vida e obra do poeta e depois fazer-lhes perceber porque é que existe este jardim em Constância e porque é que ele tem esta configuração, isso é fundamental”.
Do jardim o grupo seguiu até à Casa-Memória. Pelo caminho, junto ao rio, Máximo Ferreira foi explicando a envolvência dos rios na temática e a importância daquele recurso vivo. Ao chegar à Casa-Memória, Máximo falou sobre navegabilidade, sobre astronomia e sobre a exposição patente no espaço, onde mais uma vez os alunos fizeram perguntas e leram poemas.
Foi uma tarde rica em conteúdos e em momentos e foi justamente esse o balanço transmitido por Jorge Estrela, professor de Ciências Naturais da Escola D. Nuno Alvares Pereira, que acompanhou os alunos.
“Nós quando propusemos esta visita inicialmente tínhamos a experiência de anos anteriores ir até ao Centro de Ciência Viva e ao Jardim. Tendo-se aberto esta oportunidade de visitação à Casa-Memória e no contexto dos 500 anos do nascimento de Camões, considerámos que era pertinente a visita, mesmo com alunos do 7.º ano, onde Camões ainda não surge na disciplina de português”, explicou o professor.
“Os alunos manifestaram bastante interesse, uma vez que a visita esteve sempre bem organizada”, considerou o docente, adiantando que “não vale a pena ir para muito longe para fazer visitas de estudo, quando temos cá um potencial imenso aqui perto e o PEDIME permite-nos isso!”, enalteceu.
Este foi o primeiro grupo a realizar a visita neste formato, mas, neste momento, já são vários os pedidos de escolas do Médio Tejo para trazer ao Jardim-Horto e Casa-Memória de Constância alunos desde o 1.º Ciclo ao secundário.
Máximo Ferreira destacou “esta relação recente da CIM Médio Tejo com a Casa-Memória de Camões e com o Jardim-Horto, que nos permite explicar que a Associação Casa-Memória de Camões tem estes dois bens e que estes espaços se complementam para nesta preceptiva de evocar a obra de Camões”.
O Plano Estratégico de Desenvolvimento Intermunicipal da Educação (PEDIME) é cofinanciado pelo Centro2030, através do Fundo Social Europeu, que pode conhecer em https://mediotejo.pt/ ou em https://oie.mediotejo.pt/