«Explorar a diversificação económica e as oportunidades de investimento no Médio Tejo» foi o nome da conferência que se realizou nos dias, 26 e 27 de setembro, na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, numa promoção da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.
Um evento que envolveu e capacitou agentes empresariais e demais intervenientes, para o contexto do Fundo de Transição Justa, previsto no Programa Regional do Centro (Centro 2030), que se encontra disponível para o território do Médio Tejo, na sequência do encerramento da Central Termoelétrica a carvão do Pego.
A condução dos momentos foi assegurada por peritos da Comissão Europeia, que promoverem dinâmicas de trabalho muito interessantes, centradas nas oportunidades de investimento existentes e que reuniram todos os participantes em momentos de partilha de experiências, exercícios de grupo e de comunicações individuais bastante relevantes.
Na sessão de abertura, decorrida no dia 26, o vice-presidente da CIM Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, enalteceu a iniciativa referindo que se pretendiam “dois dias de trabalho intensos com vários workshops e mesas redondas, onde esperamos juntar contributos e consolidar ideias, que tanto precisamos para o desenvolvimento de projetos futuros, no âmbito do Fundo de Transição Justa para o Médio Tejo”.
“O encerramento da central a carvão no Pego deixou marcas profundas na região”, vincou o vice-presidente desta CIM, tendo salientando que neste sentido “o Fundo de Transição Justa é determinante para mitigar os efeitos desta decisão”.
Numa declaração gravada que fez chegar ao momento da conferência, a Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, evidenciou que “desde que a Central Termoelétrica a carvão do Pego foi encerrada, em 2021, as emissões de CO2 [dióxido de carbono] do setor da energia do concelho de Abrantes diminuíram mais de 70%, o que não pode ser senão uma ótima notícia”.
Por outro lado, referiu que se perderam “420 postos de trabalho diretos e indiretos, houve efeitos negativos na cadeia de valor e um impacto significativo nas atividades económicas locais que gravitavam à volta da central”.
Assim, “o Fundo de Transição Justa serve, sobretudo, para financiar intervenções que visam reduzir o impacto económico e social da transição climática, apoiando a diversificação e modernização da economia local e atenuando as repercussões negativas sobre o emprego”, esclareceu a ministra.
Por sua vez, Jorge Brandão, vogal executivo do Programa Regional do Centro, afirmou que a Autoridade de Gestão está comprometida em “mobilizar forças, dinâmicas, agentes, empresas para olharem e virem investir no Médio Tejo”.
Neste sentido, o vogal executivo anunciou que está a ser preparado um novo aviso, para breve, na área da produção de energias renováveis: “Temos projetos sinalizados e 10 milhões de euros para disponibilizar”.
O dia 26 de setembro culminou com uma prova de vinhos no Casal da Coelheira, onde os participantes foram recebidos pelo enólogo da quinta vinícola e onde ficaram a conhecer as características deste vinho produzido no Tramagal, concelho de Abrantes.
Na quarta-feira, dia 27, o dia iniciou com um conjunto de mesas redondas focadas na identificação de oportunidades de negócio e de indústrias chave no Médio Tejo.
Cada mesa redonda incluiu apresentações sobre Silvicultura e Biomassa, Energia e Hidrogénio e Economia Circular, identificando o quadro regulamentar europeu, a caracterização dos setores e projetos desenvolvidos pelas regiões europeias no âmbito do Fundo de Transição Justa. Já o período da tarde, focou-se na apresentação da Zona Livre Tecnológica de Abrantes e do Projeto Endesa.
Foram dois dias intensos de trabalho, com workshops e mesas redondas, com objetivo de se reunir contributos e ideias para apoiar o desenvolvimento de projetos futuros no âmbito do Fundo de Transição Justa.