Notícias

ColorADD ajuda a “ver e sentir” as cores do daltonismo no Médio Tejo

ColorADD ajuda a “ver e sentir” as cores do daltonismo no Médio Tejo

A Escola Básica de São Pedro, concelho de Tomar, recebeu no dia 11 de maio uma ação “Ver e sentir as cores” do projeto ColorADD. A atividade, acompanhada pela CIM Médio Tejo, permitiu a 14 alunos do 3.º ano do ensino básico compreender o daltonismo, experienciar as limitações associadas e descobrir como o Código “ColorADD” melhora a qualidade de vida das pessoas daltónicas.

O daltonismo, também conhecido como discromatopsia ou “cegueira da cor”, afeta cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo, um em cada 12 homens e uma em cada 200 mulheres. Sem cura e hereditária, esta perturbação visual dificulta a distinção de determinadas cores devido ao mau funcionamento dos cones da retina, sendo mais comum a dificuldade em distinguir vermelho e verde. Existem ainda variantes associadas ao azul e amarelo e também a acromatopsia, em que se vê apenas em tons de cinzento.

Para responder a estes constrangimentos, o designer português Miguel Neiva desenvolveu o Código ColorADD, o “alfabeto das cores”, assente num sistema universal de identificação de cores baseado em cinco símbolos gráficos simples, intuitivos e fáceis de interpretar.

Durante a sessão, orientada por Bárbara Santos, os alunos utilizaram óculos que simulam o daltonismo e lápis de cor identificados com os símbolos do Código ColorADD. O exercício mostrou como tarefas aparentemente simples, como pintar o arco-íris, podem tornar-se difíceis para uma pessoa daltónica. Dificuldades que incluem escolher roupa, interpretar a bandeira numa praia ou perceber o grau de urgência em pulseiras hospitalares.

O ColorADD e o seu criador

Lançado internacionalmente em 2010, o ColorADD está implementado em vários países e setores, sendo utilizado em escolas, hospitais, espaços públicos, materiais educativos e diversas marcas, contribuindo para uma comunicação mais inclusiva e acessível à população daltónica.

Para Miguel Neiva, presente na sessão, o design tem “a competência e até a nobre missão de fazer o mundo melhor”. Foi esta motivação que o levou a regressar à universidade para investigar o daltonismo e os seus efeitos “num mundo onde 90% da comunicação universal é feita através da cor”. A criação do código baseou-se no facto da cor estar presente no dia-a-dia “e nós temos uma função racional de a interpretar. O objetivo desta linguagem era dar ao daltónico essa capacidade de, com independência, o poder fazer, ou seja, incluir sem discriminar, sem o obrigar a assumir a sua condição.”.

Surgiu então o Código ColorADD “com o intuito claro de criar uma linguagem que fosse universal, que fosse capaz de ser entendida aqui, em Portugal, ou em qualquer parte do mundo e fácil. E esse fácil surge nada mais do que recuperar esse conhecimento adquirido que todos nós trazemos da escola.”.

Porquê as ações nas escolas? Miguel Neiva esclareceu que “mais do que levar o código, enquanto uma solução inclusiva e integradora” se deve “trabalhar o tema, tornar a comunidade sensível através da comunidade escolar. Desenhámos este programa nas escolas que vimos desenvolvendo desde 2012 em mais de 122 municípios aqui em Portugal, também em Espanha, na Índia, em Moçambique…, ou seja, o daltonismo é transversal.”.

As sessões também incluem rastreios precoces do daltonismo realizados em parceria com óticas locais e, segundo Miguel Neiva, trata-se de “uma ação pioneira a nível mundial, a esta escala. Já o fizemos com mais de 65.000 crianças de oito anos e vamos fazendo um levantamento, uma monitorização, de crianças daltónicas.”.

O ColorADD e a comunidade escolar

Igualmente presente na sessão esteve Margarida Cotovio, Adjunta da Direção do Agrupamento de Escolas Templários, que considerou a atividade “extremamente importante para os alunos” na medida em que ajuda a identificar uma “problemática” que muitas vezes não é detetada.

Para Margarida Cotovio, estas sessões são igualmente relevantes para os professores pois são “uma forma de estarmos conscientes e mais despertos para possíveis e eventuais crianças com este problema, que muitas vezes passa despercebido porque achamos que eles estão só a pintar com outra cor porque lhe apetece”, acrescentando que a atividade “deveria ser mantida nos próximos anos.”.

O ColorADD e o Médio Tejo

Com esta sessão na turma da professora Inês Silva, a Escola Básica de São Pedro juntou-se às 245 ações “Ver e Sentir as Cores” que, até à data e desde o ano letivo de 2022/23, já tinham sido desenvolvidas no Médio Tejo. No mesmo período foram realizados 3753 rastreios de daltonismo, a 1848 raparigas e 1905 rapazes, nos quais se detetaram 12 casos de daltonismo em raparigas e 92 em rapazes, a par de dificuldades de acuidade visual em 450 raparigas e 412 rapazes.

O projeto ColorADD destina-se a alunos do 3.º ano do ensino básico, alargando-se a turmas mistas com alunos do 3.º ano. Além das sessões “Ver e Sentir as Cores”, também já foram realizadas 56 sessões do projeto “Bullying, o lado cinzento das cores”, desenvolvido posteriormente com foco na promoção da empatia, entreajuda e aceitação da diferença no contexto escolar.

Os resultados destas ações são muito positivos, como demonstra o inquérito feito a um universo de 975 crianças, distribuídas por 65 turmas do 3.º ano, pertencentes a 48 escolas de 15 Agrupamentos de Escolas da zona Centro (Médio Tejo e Beira Baixa): 80.4% das crianças referiram ter adquirido mais conhecimento sobre daltonismo, 75.6% referiram ter adquirido mais conhecimento sobre bullying e 54.5% das crianças demonstraram uma melhoria ao nível da Compreensão Empática.

A CIM Médio Tejo é investidora social do projeto ColorADD no âmbito do programa Portugal Inovação Social, com financiamento do Fundo Social Europeu+ (FSE+), do Portugal 2030, através do Centro 2030.

Mais informações sobre o ColorADD podem ser consultadas no site oficial do projeto.

Logo da Comunidade

Logo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo
Image

Localização

Cofinanciado por
Banner Cofinanciado