Projeto

No Médio Tejo há territórios de povoamento rarefeito e de baixa densidade, cujas necessidades de transporte não conseguem ser eficientemente asseguradas pelo transporte coletivo regular, com horários e rotas fixas, uma vez que economicamente é pouco viável e pouco atrativo.

Para assegurar a mobilidade da população em espaço rural e promover a inclusão social é necessário um novo tipo de oferta de transportes que permita uma cobertura territorial mais ampla, com níveis de serviço adequados e com custos controlados. É neste contexto que nasce este projeto piloto e experimental denominado o "Transporte a Pedido no Médio Tejo".

O Transporte a Pedido:

Assenta na flexibilização da oferta, com vista à sua melhor adaptação à procura existente, reduzindo os custos de exploração e otimizando as condições de serviço. Procura agregar as vantagens de maior flexibilidade, associadas aos táxis, com as vantagens de custos mais baixos, associados aos autocarros;

É o cliente que desencadeia a viagem, contatando a central de reservas de transportes a pedido, a qual posteriormente organiza a oferta de transporte em função das requisições de serviço efetuadas. O cliente é levado até ao seu destino final (uma das paragens definidas), sendo o veículo partilhado com outros clientes cujas viagens têm um padrão idêntico ou se intercetam.

A designação "Transporte a Pedido" não comporta apenas uma solução. Pelo contrário, contempla uma grande diversidade de soluções (quer quanto aos seus objetivos; tipo de frota utilizada; graus de liberdade definidos para o percurso e paragens; níveis de tecnologia, etc) o que permite que este possa ser aplicado numa grande amplitude de situações. O seu desenvolvimento tem registado um grande incremento nos últimos anos, tornando-se cada vez mais flexível, devido à banalização das tecnologias de telecomunicação, como os telemóveis e a internet, de GPS, bem como dos softwares de seleção e escolha de percursos específicos para estes casos.

Este serviço de transporte encontra-se muito desenvolvido em França, nos países do norte da Europa (Suécia, Finlândia, Holanda, Bélgica e Alemanha), em Inglaterra e na Itália Setentrional. Pelo contrário, registam-se poucas experiências em Espanha e no Mezzogiorno Italiano, ainda que as estas se tenham vindo a multiplicar.

Na região do Médio Tejo existe potencial para a implementação de sistemas de Transporte a Pedido em todos os concelhos do Médio Tejo, ainda que associados a objetivos distintos.

Existem concelhos onde são identificáveis situações clássicas de povoamento disperso, com níveis de incidência distintos, onde o transporte coletivo regular tem dificuldade em assegurar frequências de serviços razoáveis a custos controlados. Em algumas situações, a oferta de transporte coletivo já se encontra reduzida a níveis mínimos, cobrindo somente os horários de acesso às escolas e os aglomerados principais, pelo que os transportes a pedido devem assumir um papel de cobertura dos défices de oferta, complementando a oferta regular sem sobreposições. Noutras situações, a necessidade de cobrir o território com oferta de transportes, traduz-se em sistemáticos desvios de rota que penalizam os tempos de viagem e a atratividade do transporte coletivo, cabendo neste caso equacionar o transporte flexível a pedido no âmbito de reestruturações mais profundas da rede, passando algumas carreiras ou zonas a serem servidas com lógicas de transporte a pedido.

Experiência Piloto

A experiência piloto do serviço de Transporte a Pedido no Médio Tejo teve início no concelho de Mação a 21 de janeiro de 2013.

De entre os municípios do Médio Tejo foi selecionado o concelho de Mação para arranque da experiência piloto devido a diversos fatores técnicos como seja : a dispersão urbana, o envelhecimento da população, e a grande carência de transportes públicos. No concelho de Mação existem zonas onde a oferta de transporte público regular não existe (no período de férias escolares) ou é limitada a duas circulações por dia (no período escolar), uma de manhã, no sentido da sede de concelho, e outra ao final da tarde, no sentido inverso.

No concelho de Mação, a experiência abrange uma população de cerca de 7000 habitantes, tendo como principal objetivo aumentar a cobertura da rede de transportes coletivos existente, proporcionando oferta em áreas (e/ou períodos do dia ou ano) onde esta não existe ou é deficitária. Deste modo, os circuitos e horários foram definidos para complementar a oferta de transporte coletivo regular, de forma a assegurar o transbordo para as carreiras que estabelecem as ligações Mação - Abrantes e Mação - Ortiga CP. Os horários possíveis variam consoante se esteja no período escolar ou de férias escolares.

Para o arranque do projeto-piloto foram definidos cinco circuitos que abrangem a zona norte do concelho de Mação (freguesias de Cardigos e Amêndoa) e a zona sudoeste (freguesias de Aboboreira e Penhascoso). Em setembro de 2013 foram iniciados 3 novos circuitos (freguesias de Carvoeiro, Envendos e Ortiga), por forma a abranger todo o concelho. Como já foi referido, para cada um dos circuitos foram estabelecidos os horários de referência para o período escolar e de férias escolares (apenas dias úteis), sendo que estes serviços só se realizarão, no todo ou em parte, se houver reservas antecipadas de viagem.

A partir de maio de 2014 o serviço de transporte a pedido é alargado ao concelho de Sardoal, com dois circuitos abrangendo todas as freguesias do concelho, e também ao concelho de Abrantes, com 3 circuitos que abrangem as freguesias de Aldeia do Mato, Carvalhal, Fontes, Martinchel, Mouriscas e Souto.

No âmbito do projeto, prevê-se o progressivo alargamento do serviço de transporte a pedido a outros concelhos do Médio Tejo com problemas evidentes de cobertura pela rede de transportes públicos e experimentação de processos de reorganização mais profunda da rede ou de cobertura de procuras específicas.

As reservas poderão ser feitas através do número 800 209 226. As chamadas para este número são gratuitas e será a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo que assegurará o registo das reservas que forem efetuadas e fornecerá ao operador de transportes o plano de serviços de transporte a efetuar no dia seguinte, discriminando as paragens a servir e os passageiros a recolher em cada paragem. Poderão existir reservas de última hora (reservas feitas após as 15:00h), todavia estas só serão aceites para paragens que já tenham reservas registadas.

Os serviços de Transporte a Pedido são, actualmente, realizados por táxis (de 8 ou de 4 lugares). No entanto, os veículos apresentarão um dístico que permitirá a sua fácil identificação e associação ao projeto. De forma a otimizar a utilização dos veículos, os horários indicados poderão sofrer um atraso, que não ultrapassará os 10 minutos.

Os bilhetes referentes aos serviços de transporte serão cobrados viagem a viagem, aquando do embarque no veículo. O bilhete será pago diretamente ao motorista, o qual passará ao passageiro um comprovativo de pagamento. Foram definidas quatro tarifas em função da distância: 1,60€; 2,80€; 4,00€ e 5,10€. Estes preços são mais elevados do que os preços cobrados nas carreiras interurbanas, mas inferiores aos praticados pelos táxis. Os preços foram definidos para garantir o equilíbrio possível entre as despesas e as receitas de modo a evitar graves prejuízos, podendo virem a ser alterados em função dos resultados desta experiência piloto nomeadamente do número de passageiros que aderirem a este projeto.

Na fase de arranque, o projeto beneficiou de cofinanciamento FEDER a 70% pelo POVT (Programa Operacional Temático Valorização do Território), através do regulamento "Ações Inovadoras para o Desenvolvimento Urbano". Para apoio do projeto na fase de alargamento do serviço de transporte a pedido aos concelhos de Abrantes e Sardoal, foi apresentada candidatura ao Programa Operacional Regional do Centro.

Despacho nº 7575/2012