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Decorreu por conferência online, abordou um tema muito atual, juntou especialistas nacionais e internacionais e conseguiu captar a atenção de muitos participantes. Foi assim que aconteceu o II Encontro dos Museus do Médio Tejo, sob o tema “Museus em tempos de pandemia”, realizado no passado dia 9 de novembro, através da página de Facebook do Museu Carlos Reis.

A presidente da CIM do Médio Tejo, Anabela Freitas, foi convidada para iniciar a sessão e aproveitou a ocasião para evidenciar três objetivos “muito importantes”, que estiveram na origem da constituição da Rede de Museus do Médio Tejo (RMMT):

Reforçar as relações museológicas do território e os seus profissionais; definir e compartilhar boas práticas para a salvaguarda e valorização dos meios culturais; e contribuir para a educação e o desenvolvimento social das crianças, adolescentes e de todos os cidadãos do nosso território.

“Para se dar uma resposta aos tempos que estamos a viver, o trabalho em rede é fundamental”, salientou a presidente desta CIM, acrescentando que a “Rede de Museus terá de se reinventar no sentido de se criar condições para que, não havendo a visita física [nos museus], ela possa sempre chegar a todos nós”.

De seguida, usaram ainda da palavra Teresa Mourão, da Direção Geral do Património Cultural (DGPC) e o painel de abertura foi finalizado com João Coroado, presidente do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), na qualidade de instituição parceira da RMMT e membro da organização deste II Encontro.

Mediante a urgência do debate sobre o papel, a importância e as práticas museológicas em contexto de pandemia, a RMMT optou por abrir o debate a um espectro internacional, convidando académicos de outros países para marcar presença neste evento. Foi o exemplo de Mário Chagas, do Museu Nacional da República do Rio de Janeiro, e de Encarna Lago, diretora da Rede Museistica Provincial de Lugo.

Na sua intervenção, no primeiro painel do dia, Mário Chagas chamou a atenção para a necessidade de uma “literacia museal”, salientando que os museus devem ser como “espaços de memória, de poder, de documentação e de informação” e que se devem colocar “ao serviço da sociedade como instrumentos de cidadania e liberdade”.

Por sua vez, Encarna Lago, presente no segundo painel do evento, trouxe a experiência da Rede Museista de Lugo, numa perspetiva comunitária e de inclusão, defendendo a educação como função fundamental dos museus.

Ambos relembraram o sentido da responsabilidade social dos museus e da urgência de uma democracia cultural mesmo em tempos de pandemia.

Luís Raposo, arqueólogo e representante do ICOM-Europa, partilhou o primeiro painel com Mário Chagas, que foi moderado por Luís Dias, vereador da Cultural na Câmara Municipal de Abrantes.

Luís Raposo trouxe os mais recentes dados do ICOM- Europa sobre as visitas presenciais e virtuais em museus e evidenciou a importância de se “trabalhar com o digital”, mas não apenas com o digital pois, conforme explicou, não se pode perder a essência do que é ser museu.

rede de museus logo

 

Seguiu-se um segundo painel, com a moderação de Hugo Cristóvão, vereador com o pelouro da Educação na Câmara Municipal de Tomar, que contou com a presença de Paulo Pires do Vale, do Plano Nacional das Artes e de Encarna Lago, com a Rede Museística de Lugo.

Paulo Pires do Vale apresentou a escola como polo cultural e o museu também como território educativo. Apelou à presença de museus nos conselhos educativos das escolas portuguesas e lembrou que as artes e o património têm de ser parte do currículo e não um extra, mesmo em tempos de pandemia.

O terceiro painel, com a moderação de Vasco Estrela, vice-presidente da CIM do Médio Tejo, contou com a presença de Maria Vlachou, do Acesso Cultura, e Mariana Jacob Teixeira em representação da Rede de Museus de Vila Nova de Famalicão.

Maria Vlachou alertou para a necessidade de coesão interna, dentro das próprias equipas e para as acessibilidades territoriais, sociais e intelectuais, sobretudo no momento de contingência que se vive atualmente, tendo em atenção também os fatores de exclusão do mundo digital.

Deste painel, ficou ainda o desafio dereflexão de Maria Vlachou: para que durante esta crise pandémica seja possível pensar em outros ritmos e em outras formas de trabalhar na cultura e, muito em particular, no setor dos museus.

O Encontro reuniu ainda outros representantes que acrescentaram mais valia de grande importância ao evento como sejam, João Neto, da Associação Portuguesa de Museologia e a representante da UNESCO para o Património Cultural e Museus, Sunna Altnoder.

João Neto lembrou que neste momento atípico para o mundo dos museus, é necessário manter especial atenção aos recursos humanos e deixou claro que a pandemia não traz desafios, mas antes a necessidade de reinvenção para se continuar a estudar e a saber-se comunicar as coleções. O presidente da APOM apelou ao Ministério da Cultura para a urgência de uma política cultural nacional “para todos”.

Sunna Altnoder também reforçou a grande preocupação do momento: como vai o setor cultural sobreviver à pandemia, referindo-se à vulnerabilidade das profissões das diferentes áreas da cultura e, concretamente, a dos museus. Por fim, Sunna trouxe os museus e as artes como lugares de esperança e de perseverança, dando como o exemplo o programa internacional Resiliart.

Para a Rede de Museus do Médio Tejo o Encontro cumpriu o objetivo de debate e participação entre os profissionais da área, tendo sido muito relevante para alavancar trabalhos futuros de continuidade para a Rede em tempos de pandemia.

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